Questões como estas existem frequentemente dentro do mesmo agregado familiar. No entanto, até ao momento, a medicina convencional não tem uma resposta clara para todas elas baseando-se, habitualmente, a sua terapêutica na eliminação dos sintomas desagradáveis que o paciente apresenta, através de medicação química. Trata-se de uma observação muito superficial do paciente, baseada essencialmente em exames bioquímicos e sem uma correlação direta com o seu histórico médico.
Porém, se considerarmos o ser humano como um todo, com inteligência, sentimentos, linguagem, capacidades cognitivas e criativas, pode-se afirmar que nenhum outro organismo neste planeta é tão complexo e multidimensional como os humanos. 1 E se é tão complexo e multidimensional, não é possível que um exame bioquímico traduza integralmente o estado de saúde de uma pessoa.

Como, então, definir o estado de saúde de um paciente?
Desde o nascimento até à morte, existe um “continuum” na sequência das doenças naturais, agudas e crónicas. Quando as doenças agudas não são tratadas adequadamente e o paciente apresenta um sistema imunológico enfraquecido, o quadro geral do paciente ficará permanentemente comprometido. 1
Não existem, por isso, doenças isoladas e o estado de saúde de um paciente, em um dado momento, é, sempre, o resultado de todos os sofrimentos e tratamentos que ele sofreu no passado. Quer isto dizer, que as doenças formam um “continuum”.
Mas o que distingue, então, uma doença aguda de uma doença crónica? Existe algum parâmetro que as relacione? E quando poderemos dizer que se desenvolveu uma doença crónica?

A importância da febre nas doenças agudas
Em um artigo anterior, referimos que febre não é doença mas, sim, uma reação fisiológica natural do organismo como resposta a uma invasão de um agente agressor, habitualmente, um vírus ou uma bactéria. Ou seja, a febre é uma reação do nosso sistema imunológico perante a existência de uma inflamação ou infeção.
Tomando em consideração apenas este parâmetro, as doenças agudas caracterizam-se, assim, pela presença de febres elevadas e as doenças crónicas por febres baixas ou pela ausência de febre. Mas, se as doenças formam um “continuum”, existirá, naturalmente, um determinado momento em que a doença crónica começará a desenvolver-se e o organismo já não conseguirá produzir febres elevadas.
O que está, então, na origem das doenças crónicas?
A supressão de doenças agudas como a causa do início das doenças crónicas
De acordo com o referido acima, a febre é uma reação natural do nosso sistema imunológico. Deste modo, se impedimos a sua manifestação através, por exemplo, da toma recorrente de anti-piréticos, estamos a impedir que o organismo “batalhe” pela sua defesa, dizendo-lhe “não podes produzir febre”, o que o obrigará, naturalmente, a accionar outros meios de defesa mais profundos e vitais para o organismo.
Por outro lado, se as doenças agudas típicas na infância são importantes para “treinar” e fortalecer o sistema imunológico das crianças1 , ao impedirmos a manifestação da febre e de todos os sintomas associados à infeção, que repercussões existirão no futuro?
Todos os sintomas são uma resposta do sistema imunológico, com o objetivo de resolver uma inflamação ou uma infeção e manter o seu equilíbrio interior. Deste modo, se impedimos a sua manifestação estamos, naturalmente, a atuar no sentido contrário.
Fazendo uma analogia do nosso organismo a uma panela de pressão, ao colocarmos a panela sobre um fogão (a causa da doença), com o passar do tempo, observaremos vapor saindo pela válvula de segurança (sintomas). Se, ao invés de desligarmos o fogão (ou seja, removermos a causa da doença) optarmos por fechar a válvula de segurança (isto é, impedirmos a manifestação dos sintomas), a panela de pressão ficará perigosamente sobre uma enorme pressão interior. O mesmo acontece com o nosso organismo.
No tratamento das doenças agudas, ao optarmos por tratamentos inadequados que visam a eliminação dos sintomas, é impedida a manifestação do sistema imunológico e o organismo entra num estado de “enorme stress” interior até a eclosão de uma doença crónica, mais grave e profunda do que a doença aguda. Lembremos, que os sintomas são as nossas válvulas de segurança!
Deste modo, o tratamento ideal não deve simplesmente eliminar os sintomas, enquanto a saúde integral do paciente se deteriora mas, pelo contrário, fortalecer o seu sistema imunológico em sua própria direção.2
E aqui, a Homeopatia é uma poderosa aliada da saúde, pois sua atuação visa, sempre, a eliminação da causa da doença e o fortalecimento do sistema imunológico, com amplificação temporária dos sintomas por ele produzidos.
Referências
(1) Vithoulkas G., Carlino S., “The “Continuum” of a Unified Theory of Diseases”. Medical Science Monitor, 2010
(2) Spiros K., Mahess S., Vithoulkas G., “Avaliação da Saúde Humana – Correlação das doenças autoimunes com as infecções agudas antigas, do histórico médico do paciente, quimicamente suprimidas”. Journal of Autoimmune Diseases and Rheumatology, 2017, 5, 31-38