Saúde, A Perfeita Harmonia da Alma

Numa pesquisa por diferentes obras espiritualistas e de auto-ajuda, é frequente encontrar a expressão “saúde do corpo e da mente”, numa tentativa de redefinir e alargar o conceito geral de saúde do ser humano.
Saúde, A Perfeita Harmonia da Alma

Dos vários autores, há uma que nos tocou mais profundamente por resumir de forma simples, clara e abrangente este tão intrincado conceito. Diz o autor o seguinte: “saúde é a perfeita harmonia da alma”.(1)

No nosso último artigo, “A cura pela homeopatia”, debruçámo-nos sobre a importância de considerarmos a multidimensionalidade do ser humano e a força vital para se compreender o complexo processo de seu adoecimento e de cura. Porém, apesar de tratamentos homeopáticos corretos, a experiência evidencia que, na maioria dos casos, a cura é apenas temporária, regressando o paciente com novas enfermidades passados alguns anos.

O que há, então, em nós que desequilibra uma vez mais a força vital e nos conduz a um novo estado de adoecimento? E o que é a alma e qual a sua relação com a Homeopatia?

Saúde, A Perfeita Harmonia da Alma

Corpo energético imaterial

Na principal obra de Homeopatia, “Organon, A Arte de Curar”, o seu autor refere, no aforismo 9, o seguinte:

“No estado de saúde do homem, a força vital (espiritual), a dinâmica que anima o corpo material (matéria), governa com poder ilimitado e mantém todas as partes em funcionamento harmonioso a admirável, tanto nas sensações como nas funções, de modo a que o espírito dotado de razão que vive em nós, pode empregar livremente este instrumento vivo e saudável, nos mais elevados propósitos da existência.” (3)

Neste aforismo, é notória a diferenciação que o autor faz entre o corpo material (ou corpo físico), a força vital, irracional, que o anima e lhe dá vida, e o espírito ou alma racional que utiliza aquele corpo para evoluir e atingir os seus mais elevados fins da existência terrestre.

Ao longo da sua obra, Hahnemann fala também da existência de órgãos de mais alta hierarquia, os órgãos mentais e emocionais, existentes num plano sutil e imaterial, com relação direta com o corpo físico, a força vital e o espírito. Devido ao seu nível hierárquico superior, estes órgãos ou entidades imateriais têm ação e domínio sobre a força vital estimulando-a ou desequilibrando-a, consoante a atividade mental e emocional do espírito.

No aforismo 210 do seu livro, diz ainda o seguinte: “… em todas as doenças físicas os estados emocional e mental estão sempre alterados.” (3)

Face o exposto, pode-se deduzir que o ser humano é um ser integral e complexo, constituído essencialmente por um corpo físico (material), um corpo energético (no qual se inclui a força vital e os órgãos mentais e emocionais) e um espírito, a entidade racional e inteligente, com completo domínio sobre os outros corpos.

No livro “Homeopatia, ciência e cura”, Vithoulkas refere existir uma hierarquia no ser humano, caracterizada essencialmente por 3 níveis: 1) Mental, 2) Emocional e 3) Físico. Segundo o autor, estes níveis interrelacionam-se e interagem de forma contínua e completa, influenciando e sendo influenciados por todos. (5)

nível mental é o mais elevado e importante da hierarquia, definindo-se pelo plano no qual o ser humano regista as mudanças de compreensão ou consciência, e caracterizando-se pelas capacidades de pensar, criticar, calcular, criar, planear,…perturbações nestas funções constituem, assim, sintomas de doença mental. O nível emocional posiciona-se hierarquicamente abaixo do nível mental, sendo nele que se registam as mudanças dos estados emocionais e através dele que se expressam os sentimentos. Caracteriza-se por emoções de alegria/tristeza, amor/ódio, calma/agitação, coragem/medo,… Por último, o plano físico, de menor posição hierárquica e constituído pelos órgãos e sistemas do corpo físico, vive continuamente subjugado pela atividade salutar ou enferma dos outros dois níveis. (5)

Autores de cariz mais espiritual falam, também, da existência de vários corpos, para além do corpo físico. No livro “Cura e autocura”, o autor destaca essencialmente três: 1) Mental, 2) Emocional e 3) Etérico (corpo de vitalização do corpo físico, sede da força vital), e refere, ainda, existir uma hierarquia entre eles semelhante à referida no parágrafo anterior.

Saúde, A Perfeita Harmonia da Alma

Sentimentos, pensamentos e harmonia da alma

Em vista do exposto, e independentemente do autor ou das obras estudadas, pode deduzir-se que a atividade nos níveis ou corpos mental e emocional tem, naturalmente, uma influência determinante no equilíbrio ou desequilíbrio da força vital e, consequentemente, na formação de doenças.

Alguns autores vão mais longe, referindo que todas as doenças no corpo físico têm origem em desarmonias no corpo energético, sendo estas causadas por desordens do pensamento, as quais, por sua vez, são originadas por desvios do sentimento (doenças morais ou doenças da alma)(6) Segundo o mesmo autor, o sentimento poderá ser definido por algo abstrato e indescritível por palavras, gerado pela alma, e o pensamento a energia sutil produzida no corpo mental, que procura veicular esse sentimento.

Portanto, a medicina do futuro terá, necessariamente, de compreender que o ser humano e a sua saúde são o produto direto do que sente, pensa e da forma como age no contexto essencial das suas inter-relações sociais, razão pela qual justifica o facto do equilíbrio da força vital, conseguido através dos medicamentos homeopáticos, não ser duradouro. (2) (4)

Somente quando a alma compreender os seus mais elevados fins da existência e se posicionar de forma equilibrada e harmoniosa perante as leis naturais que regem o universo, atingirá a saúde plena e duradoura, não havendo lugar ao desenvolvimento de mais doenças.

Referências

(1) Xavier F., Emmanuel, “O Consolador”, FEB, 1940
(2) Salgado M., Freire G., “Saúde e Espiritualidade – Uma Nova Visão da Medicina”, Editora Inede, 2008
(3) Hahnemann S., “Organon, A Arte de Curar”, 6ª edição, 2000
(4) Teixeira, M., “Conceção Vitalista de S. Hahnemann”, Robe Editorial,1997
(5) Vithoulkas G., “Homeopatia, ciência e cura”, Editora Cultrix, 1980
(6) Moreira A., “Cura e Autocura”, Editora Verdade e Luz, 2013

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